Escolas municipais levam educação alimentar para o cotidiano das salas de aula

A Educação Alimentar ganha espaço nas salas de aula da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto. Oito escolas de Educação Infantil participam da 8ª Jornada de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que incentiva projetos pedagógicos voltados à promoção da alimentação saudável e à formação de hábitos que podem acompanhar os alunos por toda a vida.

Prevista na legislação educacional brasileira como tema transversal do currículo escolar, a Educação Alimentar e Nutricional busca integrar o assunto às práticas de ensino, tornando a alimentação parte do processo de aprendizagem desde a primeira infância.

A ação tem como objetivo fortalecer a Educação Alimentar e Nutricional no ambiente escolar, incentivar atividades pedagógicas que estimulem hábitos saudáveis e dar visibilidade às experiências desenvolvidas pelas escolas no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

As unidades participantes iniciaram a execução das atividades, que seguem até o dia 30 de outubro. As ações envolvem estudantes, professores, gestores, funcionários e famílias, com acompanhamento e orientação da equipe técnica de nutricionistas da Gerência de Nutrição Escolar da Secretaria Municipal de Educação.

Participam desta edição as Escolas de Educação Infantil (EEIs) Francesco Cammileri, Eduardo Diniz Junqueira, Vovó Meca, Florianete de Oliveira Guimarães, Pastora Naildete Barbosa Lins, Rei Pelé e Célia Regina da Silva Vanzo, além do Centro de Educação Infantil (CEI) Felicitá Drudi Costa Pinto.

Nesta edição, a Jornada incentiva que a alimentação seja utilizada como recurso pedagógico em todos os campos de experiência da Educação Infantil e nas áreas do conhecimento dos Ensinos Fundamental e Médio, em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e com as diretrizes do PNAE. A proposta é integrar o tema a diferentes componentes do ensino, abordando aspectos como cultura alimentar, identidade, matemática, sustentabilidade, território, corpo e movimento, entre outros.

Ao final da Jornada, o FNDE selecionará 20 relatos de experiências de todo o país para compor uma publicação digital que reunirá práticas inspiradoras desenvolvidas pelas redes de ensino.

Ribeirão Preto já acumula experiências exitosas na iniciativa. As atividades realizadas pelas escolas municipais na edição de 2025 foram reunidas em um e-book que apresenta projetos como “Descobrindo Cores e Sabores”, “Cestinha Saudável”, piqueniques, oficinas culinárias, plantio de mudas, elaboração de livros de receitas com ingredientes da culinária indígena, visitas às cozinhas das escolas, degustação de frutas e hortaliças e ações de sensibilização com as famílias. As experiências demonstram como a alimentação pode ser incorporada ao cotidiano escolar de forma educativa, afetiva e significativa desde a primeira infância.

Para a nutricionista Carina Carlucci Palazzo, da Gerência de Nutrição Escolar, a Jornada representa uma oportunidade para transformar uma diretriz prevista na legislação em experiências concretas dentro das escolas. “A Educação Alimentar e Nutricional vai muito além das refeições servidas diariamente. Ela faz parte do processo educativo e contribui para que as crianças desenvolvam autonomia, senso crítico e uma relação positiva com os alimentos. A Jornada valoriza esse trabalho e estimula que o tema esteja presente nas diferentes atividades pedagógicas, envolvendo toda a comunidade escolar.”

O secretário municipal de Educação, Christian Viana Oliveira, destaca que a participação das escolas reforça o compromisso da rede com uma educação que integra conhecimento, saúde e qualidade de vida. “Quando a alimentação passa a fazer parte das experiências de aprendizagem, os estudantes ampliam conhecimentos que levam para dentro de casa e incorporam hábitos que podem acompanhar toda a vida. Essa integração entre educação e promoção da saúde fortalece o desenvolvimento das crianças e aproxima ainda mais as famílias do ambiente escolar.”

A Educação Alimentar e Nutricional passou a integrar o processo de ensino-aprendizagem das escolas públicas em 2009, com a regulamentação do Programa Nacional de Alimentação Escolar pela Lei nº 11.947. Em 2018, a Lei nº 13.666 incluiu o tema entre os conteúdos contemporâneos transversais previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), reforçando sua importância para a formação dos estudantes.

Mais recentemente, o Decreto Federal nº 11.821, de 2023, ampliou essa diretriz ao determinar a inclusão da Educação Alimentar e Nutricional no currículo escolar, nos projetos político-pedagógicos, na formação continuada dos profissionais da educação, nas atividades práticas com os estudantes — como hortas e oficinas culinárias — e nas ações voltadas à comunidade escolar.

SERVIÇO

E-book de 2025 reúne práticas desenvolvidas por escolas da rede municipal: https://drive.google.com/file/d/1RXVTtnVvyIx6wb5c-I9Rb7hh8JizG3fv/view?usp=drive_link