Maior programa social da história do estado, SuperAção SP investe R$ 1,5 bi e leva inclusão e capacitação para 105 mil famílias

Iniciativa inédita integra 29 políticas públicas, oferece acompanhamento familiar individualizado e já começa a transformar 8 das 49 primeiras cidades atendidas.

O Governo de São Paulo implementou em 2025 o SuperAção SP, primeira política estadual estruturada para a superação da pobreza, com integração direta entre emprego, renda, qualificação profissional e proteção social. Com investimentos de mais de R$ 1,5 bilhão, entre recursos do Tesouro Estadual e financiamento, o programa vai beneficiar cerca de 105 mil famílias até o final de 2027, numa jornada de atendimento personalizado voltada para a população em maior situação de vulnerabilidade no estado.

As primeiras famílias já começaram a ser acompanhadas nos territórios em oito municípios selecionados a partir de critérios técnicos como concentração de pobreza, Produto Interno Bruto (PIB) e taxa de ocupação. O programa segue em expansão, com 81 agentes formados até o final do ano, além do repasse de R$ 38,6 milhões em cofinanciamento para 38 das 49 cidades que aderiram à iniciativa e os pagamentos dos auxílios financeiros para as famílias que já assinaram o termo de compromisso.

As primeiras famílias já começaram a ser acompanhadas nos territórios em oito municípios. Foto: Divulgação/Governo de SP

O SuperAção SP reúne 29 políticas públicas de diferentes secretarias em uma jornada completa de atendimento às famílias. Cada núcleo familiar recebe um plano de desenvolvimento individualizado, com acompanhamento técnico, definição de metas e apoio contínuo para alcançar a autonomia e superar a pobreza. Tudo isso sem abrir mão de garantir assistência imediata às pessoas que mais precisam.

Lançado em 20 de maio deste ano, o SuperAção SP foi elaborado durante mais de um ano, após uma ampla pesquisa com mais de 60 iniciativas de combate à pobreza ao redor do mundo, assim como o diálogo com referências globais sobre o tema. Regulamentado sob a Lei de nº 18.176, de 8 de julho de 2025, e o Decreto 69.762, de 4 de agosto de 2025, o programa sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado (SEDS) foi aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) por 51 votos a favor.

“A pobreza é uma questão complexa, que exige respostas igualmente complexas e coordenadas. O SuperAção SP foi estruturado com base em evidências e boas práticas internacionais, articulando diversas políticas públicas para ampliar o acesso ao trabalho, à qualificação e à proteção social. Ao fortalecer a rede municipal de assistência social e acompanhar as famílias de forma personalizada, estamos construindo resultados sustentáveis, capazes de transformar realidades no curto, médio e longo prazo”, afirma a secretária de Desenvolvimento Social do Estado, Andrezza Rosalém.

Do ponto de vista financeiro, o investimento inicial do SuperAção SP foi de cerca de R$ 500 milhões vindos do Tesouro Estadual, destinados à operacionalização direta do programa, além do orçamento de todas as demais políticas estaduais das demais secretarias envolvidas no programa. Para 2026, estão previstos aproximadamente R$ 553 milhões em recursos de acordo com o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).

Além disso, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também realizará um aporte financeiro adicional de US$ 100 milhões para prover apoio técnico e estratégico para produzir estudos, avaliação de impacto, inovação e acompanhamento constante dos resultados ao longo da iniciativa. Há cerca de 20 anos a SEDS não recebia recursos de fontes internacionais nem firmava parcerias ou ajustes com organismos multilaterais. O resultado é fruto do trabalho das áreas técnicas do Governo de São Paulo na construção da proposta.

Dentro dos investimentos do Tesouro do Estado no SuperAção SP, estão R$ 150 milhões para reforço inédito no reforço da assistência social nos 645 municípios para ações sociais. Com esse aumento, de cerca de 64%, o montante total repassado aos municípios chegou a R$ 390 milhões em 2025, recursos que podem ser usados para a expansão ou melhoria do atendimento em todos os serviços da assistência social, seja para contratar profissionais, custear serviços ou aumentar vagas e capacidade de atendimento, por exemplo. As transferências aos municípios foram iniciadas em julho e serão concluídas em dezembro.

Atendimento personalizado

Cada família será acompanhada durante dois anos. Foto: Divulgação/Governo de SP

O SuperAção SP foi concebido como uma política pública com atendimento em ondas, com possibilidade de expansão gradual. A iniciativa opera com atendimento territorializado, baseado na atuação de agentes que visitam as famílias diretamente em suas casas para realizar um diagnóstico e construir com elas o Plano de Desenvolvimento Familiar (PDF), documento que organiza metas e oportunidades de acordo com o perfil profissional, educacional e social de cada família. Os agentes já estão em campo em Barueri, Cabreúva, Campinas, Embu das Artes, Itaquaquecetuba, Paulínia, São Roque e São Vicente. Cada família será acompanhada durante dois anos, com monitoramento adicional de seis meses para avaliação dos avanços.

Trinta e oito cidades já concluíram o processo de adesão, somando R$ 38,6 milhões em repasses estaduais para ampliação e qualificação da rede socioassistencial, como Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Serviços de Convivência e visitas domiciliares, fundamentais para o atendimento personalizado que diferencia a política. No total, a primeira onda do SuperAção SP prevê R$ 110 milhões em repasses às 49 prefeituras, fortalecendo a governança local para absorver a nova demanda de famílias acompanhadas.

Para ampliar rapidamente o alcance do programa, o Estado também publicou editais com previsão de contratação de mais 1.119 agentes, que irão atender cerca de 30 mil novas famílias, consolidando o caráter de política pública permanente e em expansão contínua.

Histórias que dão sentido aos números

Por trás das metas e indicadores, o cotidiano de quem mais precisa do Estado começa a mudar. Em Itaquaquecetuba, Daniela Pereira dos Santos, 42 anos, mãe solo da jovem Rebeca, foi uma das primeiras a aderir ao programa. Desempregada, Daniela sonha transformar o hobby da confeitaria em fonte estável de renda: “Já fiz meus docinhos para vender, mas com um curso de verdade posso crescer e ter meu próprio negócio”, conta.

Maria Isabel viu no SuperAção SP uma oportunidade de crescimento. Foto: Divulgação/Governo de SP

Em Barueri, Maria Isabel dos Anjos Silva, 43 anos, chegou de Fortaleza com as três filhas e, desde então, se empenha em garantir uma nova vida com o trabalho que consegue. Ela já atua com assessoria de moda de forma informal e conquistou uma base de seguidores nas redes sociais. Ao ser apresentada ao SuperAção SP, viu uma oportunidade de crescimento. “Pensei na hora: essa é a minha chance. Não quero viver dependente do governo”, afirma.

Histórias como a de Elany Micaelly, 34 anos, mãe solo de três filhos, também reforçam o potencial de transformação. Diarista, ela começou a atender como cabeleireira na casa onde mora após ouvir dos vizinhos que tinha talento. Quer aprender novas técnicas e ampliar a clientela. “Achei que fosse trote quando me ligaram do CRAS, e agora estou acreditando que posso crescer com esse apoio”, diz.

Além de levarem informação e orientação porta a porta, os agentes são responsáveis por identificar barreiras que dificultam a autonomia das famílias, como ausência de documentação, falta de creche para crianças pequenas, baixa escolaridade ou dificuldades de mobilidade. A partir desse diagnóstico, eles fazem os encaminhamentos necessários para serviços públicos municipais e estaduais e acompanham se cada etapa está avançando conforme o Plano de Desenvolvimento Familiar. O acompanhamento é contínuo e pode ser semanal, quinzenal ou mensal, de acordo com a evolução e a necessidade de cada núcleo familiar.

A atuação dos agentes também fortalece o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), colaborando com as equipes municipais que já atuam nos territórios. Enquanto os serviços do SUAS acolhem e acompanham famílias em maior situação de fragilidade, os agentes do SuperAção SP focam no desenvolvimento de trajetórias de inclusão produtiva, aproximando as famílias de oportunidades de trabalho, cursos profissionalizantes e empreendedorismo. Esse trabalho conjunto é apontado como chave para os resultados esperados do programa.

A agente Valdinete dos Santos, uma das primeiras pessoas contratadas para ser agente de Superação, encontrou na área social uma vocação. Para ela, o trabalho é mais do que uma profissão — é a chance de devolver ao mundo o que recebeu. “Quando eu era agente comunitária, eu dizia para as pessoas: você pode, você consegue. Agora, com o SuperAção SP, quero fazer o mesmo. Se eu superei, outras famílias também podem”, afirma.

A contratação dos primeiros agentes e supervisores do SuperAção SP foi realizada em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV Projetos). O treinamento de 80 horas reuniu aulas teóricas e práticas sobre construção de vínculos de confiança, uso de tecnologias digitais para monitoramento e elaboração de planos familiares.

Para Rafael do Nascimento, que já atua como supervisor em Campinas, o modelo adotado pelo SuperAção SP inova ao trabalhar a realidade das famílias em situação de vulnerabilidade de uma forma quantitativa e, ao mesmo tempo, qualitativa. “As pessoas são diferentes, ninguém tem a mesma trajetória ou veio do mesmo lugar. Respeitar essas histórias é poder construir junto a transformação de cada família”, acrescenta.