O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) Morro do São Bento, de Ribeirão Preto, encaminha, na próxima segunda-feira, 40 jabutis ao CETRAS de Brasília (DF) para que os animais sejam repatriados e posteriormente soltos em áreas de ocorrência natural da espécie. A ação é realizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), após estudos técnicos que avaliaram a viabilidade da soltura.
Os jabutis não são espécies nativas da fauna do Estado de São Paulo e, por isso, não podem ser simplesmente devolvidos à natureza em Ribeirão Preto ou em outras áreas do Estado. Após o período de tratamento, recuperação e avaliação no CETRAS Morro do São Bento, os animais foram considerados aptos para o processo de retorno ao habitat de origem.
Segundo a secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Sustentabilidade, parte significativa dos jabutis atendidos pelo Centro é proveniente de situações relacionadas ao tráfico ou à manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro.
“Grande parte desses animais é oriunda do tráfico, o que explica o número expressivo de jabutis que chegam a Ribeirão Preto e ficam sob os cuidados do nosso CETRAS. Agora, para assegurar a preservação da espécie e cumprir um dos objetivos do Centro, que é possibilitar o retorno dos animais aos seus habitats naturais, conseguimos, em parceria com o Ibama, viabilizar esse encaminhamento para Brasília. É uma forma segura e responsável de devolver esses animais à natureza”, afirma.
Para viabilizar a repatriação, a equipe técnica do CETRAS Morro do São Bento realizou estudos em conjunto com o Ibama para identificar áreas adequadas à soltura e garantir que o retorno dos animais ocorra de acordo com critérios técnicos e ambientais.
De acordo com o responsável técnico pelo CETRAS Morro do São Bento, Otávio Almeida, o processo de repatriação exige planejamento e avaliação das áreas de ocorrência natural da espécie.
“A repatriação de jabutis é um processo complexo e longo, pois envolve a identificação e a seleção de áreas de ocorrência da espécie fora do Estado de São Paulo. Junto ao Ibama, realizamos estudos de viabilidade de soltura e foi indicada a repatriação dos animais para Brasília. Muitos desses jabutis chegaram ao CETRAS por meio de entregas voluntárias, após serem mantidos de forma irregular. A criação de animais silvestres sem autorização do órgão competente está sujeita a penalidades e também provoca impactos ambientais”, explica.
O CETRAS Morro do São Bento é referência no atendimento e na reabilitação da fauna silvestre. A unidade integra a rede estadual de 28 Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres e atende 61 municípios da região de Ribeirão Preto, desempenhando papel estratégico na proteção, conservação e destinação adequada de animais silvestres.
