Ribeirão Preto se torna polo regional da tecnologia Wolbachia e amplia combate às arboviroses

Em uma nova frente de combate à dengue, ao Zika vírus e à chikungunya, Ribeirão Preto anunciou a implantação do Método Wolbachia, tecnologia que utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, capaz de dificultar o desenvolvimento dos vírus dentro do inseto. A iniciativa é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito do Brasil.

A implantação será realizada em 16 bairros das zonas Norte e Oeste, alcançando mais de 141 mil moradores. O papel do município vai além da aplicação local da estratégia, Ribeirão Preto sediará um insetário responsável pela produção dos mosquitos utilizados no método e também abastecerá São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto.

“Com a instalação do insetário, Ribeirão Preto passa a ocupar posição estratégica na expansão do método para o interior paulista. Além de proteger a própria população, a cidade se tornará centro regional de produção da tecnologia”, afirmou Ribeirão Preto.

A iniciativa é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O anúncio ocorre em um cenário favorável para o município. Após enfrentar, em 2024, a pior epidemia de dengue de sua história, com 44.630 casos confirmados, Ribeirão Preto registrou redução significativa da doença. Em 2025, foram contabilizados 21.595 casos e 11 mortes. Neste ano, até o momento, são 372 casos confirmados e nenhum óbito.

Para Mauricio Godinho, a secretaria de saúde, a chegada do Método Wolbachia representa a consolidação de uma estratégia que combina assistência, vigilância e inovação tecnológica.

“Estamos consolidando uma estratégia de enfrentamento às arboviroses que atua em todas as frentes. Cuidamos de quem precisa de assistência, intensificamos o trabalho de vigilância e prevenção e incorporamos a inovação como uma ferramenta permanente de proteção à população. O Método Wolbachia chega para somar a esse trabalho e nos permite avançar ainda mais no controle da dengue, do Zika vírus e da chikungunya em Ribeirão Preto”, afirmou.

Como funciona

A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em mais da metade dos insetos existentes no planeta e não oferece riscos à saúde humana. Quando introduzida no Aedes aegypti, ela impede que os vírus das arboviroses se desenvolvam adequadamente dentro do mosquito.

Ao serem liberados no ambiente, os mosquitos portadores da bactéria cruzam com a população local e transmitem a Wolbachia para as gerações seguintes. Com o passar do tempo, a bactéria se estabelece de forma permanente na população de mosquitos, reduzindo a capacidade de transmissão das doenças sem a necessidade de reaplicações contínuas.

A tecnologia não utiliza produtos químicos nem envolve modificação genética dos insetos, segundo Gabriel Sylvestre Ribeiro, gerente de implementação da Wolbito do Brasil.

De acordo com Lívia Carla Vinhal Frutuoso, coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, o método faz parte das iniciativas inovadoras de combate às arboviroses e já apresenta resultados positivos. Em Niterói (RJ), por exemplo, a redução dos casos de dengue chegou a 70% em áreas onde o método foi consolidado.

Antes do início das liberações dos mosquitos, a Wolbito do Brasil e a secretaria de saúde realizam uma ampla etapa de comunicação e engajamento social nos bairros contemplados. Profissionais da Vigilância em Saúde e gestores escolares já passaram por capacitações para atuar como multiplicadores das informações sobre o método.

As solturas serão realizadas semanalmente por equipes especializadas, utilizando veículos e equipamentos próprios, em pontos estratégicos dos bairros selecionados.

“Observamos os impactos da implementação desta tecnologia em cidades brasileiras por mais de dez anos, e todos os resultados trouxeram robustez para que o método fosse implementado como uma política pública dentro do Ministério da Saúde”, afirmou Diogo Chalegre, pesquisador da Fiocruz.

Estratégia amplia plano de enfrentamento às arboviroses

A chegada da Wolbachia se soma a uma série de medidas adotadas pelo município para reduzir o impacto das epidemias de dengue. Na assistência, a rede de urgência foi reforçada com estruturas exclusivas para atendimento de pacientes com sintomas da doença durante o período sazonal.

As UPAs Norte e Leste receberam tendas específicas para dengue, a UPA Oeste passou a contar com um contêiner exclusivo para esses atendimentos, e a UPA Sul teve seus espaços internos reorganizados para ampliar a capacidade de resposta durante os períodos de maior demanda.

Também foi implantado em toda a rede o modelo de atendimento em “Y”, com triagem específica e classificação de risco direcionada para casos suspeitos de dengue, tanto para adultos quanto para crianças.

Na frente preventiva, as equipes da Vigilância em Saúde mantêm ações permanentes de bloqueio de criadouros, nebulização, visitas domiciliares, fiscalização de imóveis e pontos estratégicos, além de arrastões aos fins de semana e monitoramento por armadilhas para o Aedes aegypti.

Entre janeiro e junho deste ano, foram vistoriados mais de 313 mil imóveis e eliminados 14.468 focos do mosquito.

Outra ferramenta já incorporada à estratégia municipal são as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), implantadas